9 de fevereiro de 2018

Rainha de bateria do Carnaval



Fui contratada como free lancer de uma grande empresa.

Aceitei porque minha família estava vivendo com poucos recursos financeiros depois da morte de meu pai.

Todos estudando e ninguém trabalhando, pois eram cursos em tempo integral.

Na segunda semana fui convocada para um seminário com todos os gerentes, diretores e com a presença do presidente da empresa.

O curso seria realizado em um hotel cinco estrelas, com o tema Criatividade.

Confesso que não gostei da ideia porque ainda não conhecia ninguém e como sempre seriam mais três (3) mulheres e os restantes homens.

No sábado e primeira aula o Coach (treinador), psicólogos, sociólogos fizeram uma explanação sobre Criatividade /Trabalhar sob Pressão etc..

Depois tivemos um jantar com a presença de uma famosa cantora.

Eu estava encantada, apesar de não fazer parte do “grupo”.

No dia seguinte, de manhã, houve um trabalho em grupo.

Mas fiquei de fora, pois ninguém me escolheu.

Vesti-me de coragem e falei com o coach e ele sugeriu que eu seria um grupo de um (1), isto é, só eu.

O tema seria uma formar uma escola de samba e desfilar em uma rua próxima ao hotel.

Vi os homens formando seus grupos de bateria, ala das baianas, samba enredo etc..

Todos rindo, brincando e eu paralisada.

Quando fico muito ansiosa e em situações de medo fico paralisada.

Mas, pensei em minha mãe que contava com meu salário, e vesti de coragem e fui escrever na lousa o nome do meu grupo:” Rainha de Bateria”.

Peguei o restante do material que sobrou, como papéis de jornal, papel crepom, sentei num cantinho e comecei a criar.

Uma Rainha de bateria tem que ter samba no pé e isto eu tinha, pois amo a dança e comecei desde criança a aprender.

Resumindo: fiz uma coroa em fitas de papel crepom, colares/pulseiras trançados de jornal.

Faltava a roupa: cortei a camiseta que distribuíram com o logo da empresa e fiz um bustiê e a minha velha calça jeans transformei em um shorts.

Quando o coach disse que dentro de 10 minutos encerrava os trabalhos, fui à toalete me aprontar.

Cheguei quando todos já estavam em formação para a escola desfilar.

E o samba começou.

Para nossa surpresa foi contratado uma escola do local que tornava o som arrepiante. E eu sambei ...sambei como uma verdadeira rainha .

De longe vi minha mãe e meu pai (sim meu pai) me aplaudindo e minha confiança se renovou.

Quando o desfile acabou voltamos para a sala de aula e o presidente disse que eu ganhei o troféu de mais criativa e de trabalhar sob grande pressão.

Sentia o cheiro de inveja de todos, mas eu tinha o perfume do amor de meus pais, da dança que amo de paixão e da força e fé no Criador que esteve comigo todo tempo.

Não me sentia feliz com o ambiente de trabalho, fiquei um pouco mais de tempo e novas possibilidades  chegaram. 
Hora de partir para novos rumos .

Esta foi minha estreia como rainha ...de bateria.

E outras vezes fui rainha ...


 Art BAK

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