Acordei neste sábado com o canto gregoriano da igreja de São Judas,onde temos missa todos os dias 28,especial para os devotos de São Judas.
Saí para caminhar ,mas voltei rapidinho ,pois os carros estão correndo como loucos ,afinal o comércio fechará as 11 horas ,pois as 13 horas é o início de mais um jogo da morte Brasil x Chile e quem perder volta para seu país ,e para nós brasileiros acaba a festa da Copa do Mundo. Bem,guardo meu segredo a sete chaves ,mas meu time preferido se classificou para as oitavas finais também, junto com o Brasil,afinal nasci no Brasil.Outros times ,também meus favoritos se desclassificaram.Pena!
Então nesse sábado nervoso vou deixar um texto que não é de minha autoria ,mas de uma mulher muito inteligente ,atriz ,escritora e lindissima.
Somos queijo gorgonzola”
Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto.
No táxi, no trânsito, no banco, só me... chamam de senhora. E as amigas falam “estamos
envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando
envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro
dia, divertidamente, fiz uma analogia.
O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das
pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho
branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção
italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável,
vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo
contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de
chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da
matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo
ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.
Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o
Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria.
Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma
mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não
sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem
compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora
tenho status, sou um queijo Gorgonzola.
Maitê Proença